Quarta, 12 de Agosto de 2020 20:58
Brasil BRA-WASSEF

SOU LEAL E AMO O PRESIDENTE DIZ WASSEF

SE FALAR TUDO QUE SEI DO PRESIDENTE, ELE SERÁ REELEITO EM 1º TURNO EM 2022

13/07/2020 21h03 Atualizada há 4 semanas
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Por: Rui Candeias Fonte: rc – nm
SOU LEAL E AMO O PRESIDENTE DIZ WASSEF

SOU LEAL E AMO O PRESIDENTE DIZ WASSEF

SE FALAR TUDO QUE SEI DO PRESIDENTE, ELE SERÁ REELEITO EM 1º TURNO EM 2022

rc – nm  © reprodução – 13.07.20

BRA-WASSEF

O advogado Frederick Wassef já privou da intimidade da família de Jair Bolsonaro. Atendeu ao primogênito, o senador Flávio Bolsonaro. Destituído da função, teve que se afastar do clã do presidente da República em decorrência das investigações sobre a prática de "rachadinha" no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Defensor de Jair e de Flávio até a noite de 21 de junho, Wassef teve que abandonar as causas três dias depois de Queiroz ter sido preso em sua propriedade na cidade de Atibaia, no interior paulista.

Desde então, o advogado ganhou holofotes e vem repetindo que é vítima de armação e fake news daqueles que têm como objetivo prejudicar o presidente.

Queiroz foi preso em 18 de junho. Na peça em que pediu a prisão, o Ministério Público do Rio apontou indícios de que Wassef teria não apenas abrigado Queiroz, mas também controlado e restringido sua movimentação.

Queiroz nunca foi considerado foragido e hoje cumpre prisão domiciliar.

Considerado por muitos um potencial "homem-bomba", Wassef rechaça essa rotulação e diz que tudo o que fez foi permitir que um simples averiguado, no caso Queiroz, usasse uma de suas casas para escapar de um suposto plano de assassinato e que tivesse paz no tratamento de um câncer.

A pergunta da Folha é sobre por que a família Bolsonaro não teria tomado a iniciativa de acolher Queiroz, já que o considera inocente.

Wassef afirma que, em dezembro de 2018, "quando estourou esse escândalo [da "rachadinha"] e veio a público essa questão, a decisão da família do então presidente eleito, foi de cortar imediatamente todo e qualquer tipo de relação com o ex-assessor de Flávio".

A família fez uma opção. Explodiu o escândalo e acharam conveniente aguardar a apuração dos fatos.

Queiroz é um policial militar aposentado que atuou como assessor de Flávio de 2007 a 2018.

O Ministério Público do Rio afirma que ele atuou como operador financeiro de um esquema de "rachadinha" (devolução de salários) no gabinete de Flávio.

Questionado se atualmente estaria em melhor situação caso se tivesse mantido à margem e aguardasse o desenrolar das investigações, sem tomar a decisão de ajudar e dar guarida a Queiroz, Wassef compara-se a Queiroz na luta contra o câncer.

"Sou uma pessoa que passou os últimos dez anos sofrendo em hospitais, tive quatro cânceres, duas quimioterapias horrorosas. Passei dez anos de muita dor e sofrimento. Sou um ser humano diferente. Tenho uma sensibilidade especial à pauta: câncer, saúde, ajuda ao próximo".

Sobre o comparativo entre ele e a família Bolsonaro em relação as atitudes tomadas por uns e outros com respeito ao caso Queiroz, foi direto: "Sou diferente de todas as pessoas. Passei dez anos sofrendo em hospitais com quatro tipos de cânceres, vi a morte de perto" Depois de tudo isso uma pessoa torna-se diferente de quaisquer outras".

Wassef diz que Queiroz foi no mínimo descuidado ao participar de festas, almoços e levar estranhos para a casa de Atibaia sem o seu conhecimento.

"Se ele [Queiroz] está ali, em busca de paz, privacidade, para cuidar da saúde e por não ser um lugar público onde pudesse correr o risco de o assassinem, é óbvio que a pessoa tem que ter o mínimo de bom senso e o mínimo de cuidado.

"Queiroz não teve o devido cuidado" ao enviar imagens da casa pelo WhatsApp. Wassef diz que não permitiria que Queiroz ficasse na casa se soubesse que não se cuidaria. Mesmo contrariado, afirma não se arrepender de lhe ter oferecido abrigo.

Os promotores que pediram a prisão de Queiroz afirmam que o ex-servidor buscava omitir de Wassef as saídas do sítio que fazia. O MP/RJ diz ainda que o ex-assessor e seus familiares desligavam seus telefones quando se aproximavam da casa, a fim de evitar eventual monitoramento das autoridades policiais.

Mas como Jair e Flávio não sabiam do paradeiro de Queiroz, já que este era amigo de pescaria do presidente e assessorou Flávio por anos na Assembleia do Rio? Queiroz e Bolsonaro se conheceram no Exército e são amigos há mais de 30 anos. Foi por meio de Jair que o ex-assessor ingressou no gabinete de Flávio.

"Nunca comuniquei ao presidente nem ao Flávio e tenho meus motivos. Acreditava que, se eu comunicasse ao presidente ou ao seu filho, em algum momento alguém mais poderia saber. Que contaria a alguém mais e colocaria em risco a vida do Queiroz. Se essa informação circulasse, poderiam matar o Queiroz dentro da minha casa e ainda colocariam a culpa em mim."

Antigo frequentador da residência oficial do presidente da República, o Palácio da Alvorada, Wassef senta-se a uma mesa improvisada em uma praça de alimentação inabitada no Lago Sul, em Brasília.

Com mesas e cadeiras empilhadas ao redor, ele reclama da Kufa, partido que os bolsonaristas patinam para tentar criar para as eleições de 2022.

No dia da prisão de Queiroz, a advogada Karina Kufa, tesoureira da Aliança pelo Brasil, divulgou nota na qual negava que Wassef advogasse para o presidente. Segundo Wassef, o presidente não sabia dessa nota, não a autorizou e não gostou do conteúdo.

Durante toda a entrevista, Wassef repete que Queiroz nunca morou em seu escritório, não aparecia lá há mais de um ano e jamais esteve escondido lá. "Nunca escondi Fabrício Queiroz, ninguém estava procurando por ele. Fez incontáveis viagens de ida e volta. Era um cidadão em trânsito".

O advogado diz que, mesmo que Bolsonaro quisesse, não permitiria que o presidente saísse em sua defesa. "Não estou defendendo Queiroz ou Flávio. Estou rebatendo mentiras e fake news imputadas à minha pessoa".

Sem usar máscara de proteção contra coronavírus, Wassef refuta os rumores de que seja capaz de implodir o governo Bolsonaro.

"Não sou bomba coisa nenhuma. Sou leal, amo o presidente. Se realmente falasse de todos os segredos que sei do presidente Bolsonaro, se eu pudesse falar tudo que sei dele, da nossa relação dos últimos seis anos, sabe qual seria a consequência? Bolsonaro seria reeleito em primeiro turno em 2022".

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